Pelo protagonismo político das crianças na pandemia

Foto: Jaciara Lima
Álvaro Soares de Paula, 4 anos, de Simonésia-MG. Foto: Jaciara Lima

No último sábado, 25 de abril, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, fez um discurso para explicar as estratégias do país no combate à pandemia de covid-19. Além de falar para adultas e adultos, Fernández se dirigiu diretamente às crianças argentinas. Ele pediu que as crianças continuem a lhe mandar desenhos pelo twitter e lembrou que em breve as pequenas e os pequenos poderão passear com a família, mas que por enquanto devem continuar em casa, protegendo quem tem mais vulnerabilidade.

Nós, do programa de extensão Sujeitos de suas histórias, sempre acreditamos e defendemos o protagonismo infantil nos processos comunicacionais. Num momento tão complexo e difícil como a pandemia do covid-19, as rotinas infantis se desfazem, as âncoras de sociabilidade – como escola, amigos, parques – são interrompidas, o direito à cidade, a correr e a brincar na rua, é suspenso. Na crise, as crianças são tão ou mais afetadas que nós, adultos, e precisamos levá-las em conta em casa, nas famílias; socialmente; e, sobretudo, nas políticas públicas, nos países. Vemos também que as crianças entendem, à sua maneira, o que acontece, e defendemos a necessidade absoluta de falarmos com as crianças, de explicarmos a elas o mundo em que vivemos, de incluí-las em planejamentos como sujeitos políticos, sujeitos de direitos e proteção.

Por isso temos nos dedicado a colher esses testemunhos singulares, especiais, nos afetos que nos contam. “Saudade” tem sido a palavra mais frequente; a escola a maior falta. É por meio do testemunho singular e empático que temos acesso aos afetos e às experiências de cada criança, e podemos construir e compreender esse momento histórico sob a perspectiva delas e deles.

LÍDERES – Antes do presidente argentino, a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Arden, havia assegurado às crianças neozelandesas que iria incluir o coelho da Páscoa e a fada do dente entre trabalhadores essenciais do país, e ainda pediu às pequenas e pequenos para colocarem desenhos de ovos de páscoa nas janelas, a fim de incentivar caças aos ovos sem romper o isolamento social.

Ainda em março, a primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg, respondeu dúvidas de meninas e meninos sobre a pandemia, tranquilizando-os: “Têm sido dias especiais… Muitas crianças acham assustador (…) É ok se sentir assustado quando tantas coisas acontecem ao mesmo tempo”.

Que os exemplos de Erna, Jacinda e Alberto sejam seguidos; que as crianças sejam colocadas no centro das preocupações políticas e sociais de nosso tempo.

 

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